Nota 02: Compreensão dos fenômenos econômicos indicados para o IBS

PEC 45/2019 – art. 152-A, § 1º e inciso I: incidência sobre bem e serviços Inicia-se a análise da reforma tributária por seu dispositivo central, o art. 152-A, caput, § 1º e inciso I. Especificamente, em relação ao fato econômico tomado pela Constituição para incidência do IBS. Transcreve-se o dispositivo: Art. 152-A. Lei complementar instituirá imposto sobre bens e serviços, que será uniforme em todo o território nacional, cabendo à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios exercer sua competência exclusivamente por meio da alteração de suas alíquotas. §1o. O imposto sobre bens e serviços:I – incidirá também sobre: a) os intangíveis;b) a cessão e o licenciamento de direitos;c) a locação de bens;d) as importações de bens, tangíveis e intangíveis, serviços e direitos; Impostos sobre bens A PEC, então, estabelece a competência para criação de imposto sobre bens e serviços (IBS). Há, aqui, uma dificuldade inicial de compreensão do fato econômico apontado pelo legislador reformador em relação à incidência do imposto sobre bens. Na redação original, a Constituição atribui à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a competência para criar impostos sobre bens; respectivamente: sobre a propriedade rural (art. 153, VI), os veículos automotores (art. 155, III) e a propriedade predial e territorial urbana (art. 156, I). Esses impostos, indevidamente chamados de reais[1], incidem sobre a chamada renda poupada[2]. Esse aspecto é relevante. O ICMS alcançava a riqueza decorrente da operação de circulação de mercadoria ou da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. A legislação dos Estados, então, poderia, em tese, buscar a tributação na renda consumida (renda de...

Reforma Tributária – Nota Introdutória: sistema de análise da PEC 45/2019

O nosso sistema tributário tem raiz no Código Tributário Nacional de 1966 e na Constituição da República Federativa do Brasil de 1967 (Capítulo V – Do Sistema Tributário: art. 18 e seguintes[1]). A Constituição de 1988 introduziu carga principiológica, inclusive democrática, no Sistema Tributário, além de trazer novos mecanismos de divisão de competência tributária e partilha de receitas, de limitação do poder de tributar, dentre outras alterações relevantes. Fato é que desde o início da década de 1990 há Projetos de Emenda à Constituição buscando alterar o sistema tributário. A complexidade do sistema, a injustiça fiscal, as distorções provocadas são alegações tomadas como premissas para justificar os projetos de reforma tributária. Por meio de notas que serão publicadas no aconstituição, nossa proposta é analisar a reforma tributária desenvolvida pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF)[2], instrumentalizada atualmente pela Proposta de Emenda à Constituição 45/2019[3]. Antes de explicitar a metodologia de análise por meio das nossas notas, vale indicar, ainda que rapidamente, alguns aspectos da PEC 45/2019. Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) em 22.05.2019, a PEC 45/2019 teve como autor da Proposição o Deputado Federal Baleia Rossi (MDB/SP). Segundo nota técnica divulgada pelo CCiF[4], o cerne da proposta seria a unificação de cinco tributos (IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS) em um Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O IBS seria um imposto não cumulativo, com alíquota uniforme e incidência ‘por fora’. São os princípios que teriam informado a reforma tributária: simplicidade, neutralidade, transparência, isonomia e capacidade de arrecadação. Esses aspectos todos tornam a análise interessante da perspectiva jurídica, já que representam uma ruptura relevante...
Baltimore Ravens Womens Jersey